Homenageado na festa do Tri-Mundial organizada pela SPNet e pelo TricolorPaulista.Net, com o apoio da CNT Turismo, um entusiasmado e solícito Palhinha tirou fotos, deu autógrafos, e mostrou que ainda é um ídolo da torcida são-paulina.
Em uma conversa com os repórteres da SPNet Carlos Alves e Ana Luiza Rosa, o ex-camisa número nove do tricolor confessa: "O São Paulo, para mim, foi tudo". Palhinha vai além ao afirmar ter o sonho de voltar ao Morumbi, pois acredita que têm mais qualidades do que "alguns que estão lá".
Após os casos de Edmundo no Palmeiras e Marcelinho Carioca no Corinthians, Palhinha, que participou da era de ouro do SPFC, teria espaço para voltar ao tricolor? Acompanhe agora essa entrevista exclusiva com um dos ídolos do tricolor e tire as sua conclusões.
Palhinha, em 2004 (entrevista dada para a SPNet), você disse que o SPFC estava passando por um momento difícil, que faltava ambição para conquistar títulos. Você acredita que o tricolor voltou a ser forte como na época você jogou? Palhinha: Eu espero que sim, o São Paulo precisa continuar com a tradição de disputar os títulos e conquistá-los, um time do porte do SPFC não pode ficar sem vencer nada. É isso que faz o clube ter essa história que tem, para nós jogadores que já passamos pelo clube e que ficamos marcados na história dele, é muito importante vê quer o time continua conquistando títulos importantes para todos nós comemorarmos com festas como essa.
Qual é o melhor time, o que você jogou ou o de 2005? Quais são as diferenças entre eles? Palhinha: Acho que o São Paulo de 1992 principalmente vai ser muito difícil de ser ver outro time como aquele. Pela amizade que o grupo tinha, pelo respeito que nós tínhamos e pelo fato de nós não perdoávamos os nossos adversários, porque éramos muito cobrados pelo Telê e a melhor maneira que nós tínhamos para respeitar os nossos adversários era vencer e vencer bem. E até venho depois essa brincadeira de chamar o time do São Paulo de time dos bambis, na minha época não tinha isso, pois eles se borravam de jogar contra o São Paulo. Por isso, eu que o time de 1992 foi melhor do que todos os outros que vieram depois.
O que você pode falar do mestre Telê? Palhinha: Vai ser muito difícil aparecer outro treinador como o Telê, que se preocupa com o jogador dentro e fora de campo. O Telê era muito chato nas cobranças ele estava sempre nos nossos pés e com certeza isso, fez o SPFC ser tão vencedor naquela época e o Telê tem grande importância nisso.
Todo esse carinho que você demonstra ao falar do SPFC, do time de 1992 até com uma certa nostalgia, mostra que você hoje é um torcedor do tricolor. O SPFC é mesmo especial para você? Palhinha: Na verdade quando eu vim para o SPFC, eu tinha saído do América MG que é um time pequeno e foi uma mudança de vida em todos os sentidos, profissional, financeiro, pessoal, emocional, psicológico, me fez crescer. Eu não tive a oportunidade de estudar em bons colégios e o São Paulo me deu tudo, a única coisa que eu tinha que fazer era treinar e jogar, as outras coisas o clube fazia para mim.
Mas treinar e jogar naquela época era fácil Palhinha: Não era fácil (risos) era bem complicado, pois eu treinava de manhã e a tarde no CCT e a noite eu correia na Marginal. Eu me cuidava mesmo, hoje todos falam que eu passei no formol, que não envelheci. Tudo isso é porque eu me cuidava mesmo, dormia no horário certo, acordava no horário certo. Eu queria ser o melhor e procurei ser o melhor que eu pude dentro do São Paulo. Isso tudo é uma escola e o São Paulo tem um lugar reservado no meu coração, na minha mente.
Como está sua situação financeira? Palhinha: O que eu tenho hoje o São Paulo foi quem me deu condição de ter, minha família vive bem, os meus filhos poderão estudar em boas escolas, não posso reclamar de nada. E muito disso eu devo ao São Paulo.
Você usou uma frase em 1994, depois da Libertadores, em que disse: "Jogar com Cafu, Muller e Raí é fácil o difícil é jogar com quem não sabe", em 1994 você se sentiu mais pressionado do que nos outros anos? Afinal você era o grande ídolo do time. Palhinha: Não era a pressão, foi como você lembrou que jogar com o Cafu, Muller, Zetti, Pintado e com o Raí era muito fácil porque todos sabiam o que fazer e depois quando você está no mesmo time e com um outro grupo, e ainda alguns jogadores às vezes se encolhem em determinadas partidas a responsabilidade cai em quem está acostumado a vencer e ai você não vence você é o mais cobrado. E antes não, a responsabilidade era bem divida e todos a jogavam bem. Mas felizmente isso aconteceu comigo, pois eu cresci bastante e fiquei mais dois anos no clube.
E a torcida? O que você pode falar sobre ela? Palhinha: Olha só de hoje eu poder estar participando de uma festa como essa é sinal de que a grande parte da torcida do São Paulo tem um respeito muito grande por mim e eles virão que tudo o que fiz pelo São Paulo foi feito com muito orgulho, respeito e carinho e faria tudo de novo. Se tivesse outro pênalti para cobrar, cobraria de novo. Eu não afinaria, pois joguei com a costela quebrada e ninguém sabia, com o tornozelo ruim e ninguém sabia. E tinha dias que não dava nem para jogar e eu jogava, porque o São Paulo foi tudo para mim e eu não posso reclamar nada de ter jogado no São Paulo.
Depois de tudo isso que você disse, você acha que tem possibilidades de voltar ao clube? Ainda dá? Palhinha: Eu acho que a minha fase já passou, mas modéstia à parte tem muito jogador que não merece vestir essa camisa. E eu tenho mais condições do que eles para jogar no São Paulo, pois eu nunca afinei e corri do pau. Como eu disse antes, ninguém nos chamávamos de bâmbis, eles nos respeitávamos e hoje não. Tem jogador lá que não sabe o que é a camisa do São Paulo, o que significa jogar no São Paulo.
E se você for convidado para voltar ao clube com um cargo na comissão técnica? Palhinha: Se for para jogar eu voltaria para o São Paulo e jogaria mais do que muitos que lá estão. Mas para trabalhar hoje no São Paulo é bem mais difícil, porque eu já estou há três anos num outro clube fazendo esse trabalho de revelar jogadores. Mas como eu disse se for para jogar eu voltaria sim.
Deixe uma mensagem final para o torcedor do São Paulo.
Que o torcedor continue respeitando e torcendo por esses jogadores, que vocês são-paulinos continuem comemorando títulos e que essa torcida cresça ainda mais. O mais importante para o jogador do São Paulo e esse carinho que a torcida sente pelo clube e é isso que motivar o jogador sempre, muito obrigado.
Por: Carlos Alves (MTB 42.180/SP) e Ana Luiza Rosa