Matérias

Ah se for como uísque !!!


Quanto mais envelhecido o uísque, mais valoroso ele é. Ninguém que aprecia um bom malte irá reclamar se chegar em uma festa que só será servido um belo Scotch 12 anos.

Mas nem tudo é que nem uísque. Tem certas coisas que não queremos esperar envelhecer e uma delas é essa nossa vontade de voltar a gritar que somos campeões da América e depois da derrota sofrida de ontem teremos que esperar pelo menos mais um ano para isso.

Hoje faz exatamente 12 anos que fomos campeões da Libertadores pela primeira vez, em cima do Newell's Old Boys no Morumbi. Uma final que mesmo depois de todo este tempo conseguimos lembrar como se fosse hoje. E por isso resolvi fazer essa matéria especial com os depoimentos de diversos amigos sobre como foi o dia 17 de junho de 1992 de cada um. Espero que vocês gostem, pois além desses amigos consegui também o depoimento de um convidado muito especial para toda a torcida são-paulina e também um dos principais responsáveis pelo nosso título de 1992.

Seguem abaixo os depoimentos que marcam uma nova fase do site TricolorPaulista.Net, que se inicia hoje:

"Os dias que antecederam o jogo foi de ansiedade para todo o grupo e, logicamente, para mim também. Chegar até ali era difícil, ainda mais naquela época que só se classificavam dois times por país para a Libertadores. A gente sabia que tinha uma chance única dentro de casa, mesmo tendo perdido o primeiro jogo, e que não poderia deixar escapar. Não lembro exatamente de detalhes, só que tentávamos manter a nossa rotina de outros jogos. Lembro mais do jogo em si. Da chegada ao estádio, onde vimos a torcida e ficamos contagiados. Da entrada do Macedo, que foi pé quente e sofreu o pênalti para nós. E aquele pênalti foi justamente o momento mais impressionante da minha vida. Sempre conto isto em palestras que faço para empresas. Quando eu peguei a bola tinham 120 mil pessoas vibrando e, de repente, quando dei três passos para trás, veio o silêncio total. Aquele espaço de tempo foi o momento mais impressionante de minha vida, não só profissional como pessoal"
(Raí Vieira de Oliveira, o terror do Morumbi e diretor executivo da Fundação Gol de Letra)


"O dia que não passava...Levantei cedo e fui trabalhar (fazia estágio na Ciba Geigy na época)... A frase certa é levantei e não acordei, pois não consegui dormir um minuto sequer, tanta era a ansiedade. Chegando no trampo foi aquele tormento o dia todo, são paulinos ansiosos e um monte de gambás e porcos enchendo o saco e gorando. Acabou o expediente, passei em casa e rumei para o Morumbi. Chegando lá, só havia ingressos para a geral, compramos os ingressos e entramos, mas com o jeitinho brasileiro demos R$ 20,00 para um vendedor que conseguiu nos colocar na numerada. Começa o jogo e o desespero aumenta. O Newell's joga fechado e segura o resultado. No segundo tempo, bem na minha frente, Telê manda o talismã Macedo para o aquecimento e em menos de 2 minutos dentro de campo, ele sofre pênalti. O rei Raí pega a bola com a serenidade de sempre, mas eu não consegui olhar. Virei as costas para o campo e não vi a cobrança do Rei do Morumbi. O estádio parecia que ia desabar....Fim de jogo e vamos para as cobranças de tiro livre. O coração parece que vai sair pela boca e as cobranças vão seguindo até que Gamboa ajeita, bate e... Zetti salta para dar o título ao tricolor....O campo é invadido de uma forma nunca vista...A cidade se veste de preto, branco e vermelho e meu coração parece não caber dentro do peito.....Ficamos até o fim e rumamos para casa afim de encontrar meu pai que não tinha ido ao jogo e juntos fomos para a Paulista comemorar, sem saber que aquele título era apenas o começo de seguidas glórias que encheriam as vidas tricolores de alegria..."
(Nelson Braga Calil, responsável pelo site TricolorPaulista.Net)

"Em 1992, eu tinha nove anos, sem as desconfianças de atualmente. Tinha certeza que seríamos campeões da América. Porém, meu 17 de junho começou uma semana antes, quando fomos roubados na Argentina. Não que isso tenha abalado a certeza do título, mas vivi intensamente a espera pela "justiça". No dia da final, escolhi a terceira camisa do Tricolor que mais gostava para ir à escola. Aturar a zica dos amigos de mau gosto, e compartilhar a ansiedade com os privilegiados. Passei o dia olhando o relógio. Não prestava atenção em nada. Quando chegou a hora, peguei a segunda camisa que mais gostava, a bandeira, e sentei na cama da minha mãe para ver o jogo. Sozinho. No escuro. O tempo passava e o nervoso aumentava. Até que Macedo entrou, foi derrubado, e Raí deixou sua marca. Nos pênaltis, lembrei de todas as orações que minha mãe havia me ensinado. Trêmulo, porém confiante. E na defesa final de Zetti, todos os vizinhos acordaram. O Morumbi tomado pelos são-paulinos. Foi a primeira vez que chorei de alegria e emoção. A camisa que eu mais gostava estava ali, guardada, para eu desfilar no dia 18. Campeão da América."
(Alexandre Lozetti, o XP, moderador do fórum O Mais Querido)

"Um dia antes eu fizera 16 anos. Como era em uma terça feira, não fizemos uma festa, mas sim uma reunião familiar apenas para cortar um bolinho.Eu e meu irmão já estávamos preparados para enfrentar uma batalha para ir ao estádio, pois não tínhamos ingresso e, se não me falha a memória, a verdade é que não era costume comprar ingresso antecipado, como hoje. Eu não me preocupei muito com isto, pois meu irmão (o culpado por eu ser fanática assim hoje) era quem sempre cuidava de tudo. Como toda manhã, acordei e fui à escola. Aulas normais, papos com os meninos sobre o jogo e expectativa. Saí da escola e fui para casa almoçar e dormir um pouquinho (afinal ninguém é de ferro). Dormi "apenas" das 14h00 à 17h00. Um lanchinho rápido e já estava à espera do meu irmão, que chegaria do trabalho e daria um "cano" na faculdade para irmos ao jogo. Fiquei esperando meu irmão e sua namorada, que claro atrasaram, para dar mais emoção à nossa jornada. Um amigo nosso, corinthiano (mas não praticante) resolveu ir conosco.19h30 saíamos rumo ao Morumbi, Jovem Pan no máximo. Chegamos lá por volta das 20h30. Ingressos esgotados. Nosso carro já estava parado em uma estacionamento com carro por todos os lados. Não podíamos sair antes do término do jogo. Meu irmão conseguiu quatro ingressos para a Geral. Melhor do que ficar de fora. Fomos.Aí nossa estrela começou a brilhar! Um rapaz vendendo balas, viu que haviam duas mulheres que nada conseguiriam ver na geral, e nos ofereceu (por uma quantia irrisória) para passarmos à numerada inferior. Exatamente do lado em que mais tarde seriam cobrados os pênaltis !!!!!!!!Do jogo, para falar a verdade não me lembro muito, só do nervosismo em que todos nos encontrávamos. O jogo na Argentina havia sido 1x0 para o Newell's Old Boys. Precisávamos de uma vitória com dois gols de diferença para não termos que ir aos pênaltis. Mas claro, qual seria a graça para aquelas mais de 100.000 pessoas presentes ao Morumbi se conseguíssemos isto no jogo normal? Claro, fomos para os pênaltis. Mas era dia de São Zetti. 3x2 São Paulo.Olhava para os lados, todos no estádio (pessoas que nunca haviam se visto na vida) se abraçando e chorando. Invasão do gramado. Algo simplesmente inesquecível. Aquele sensação maravilhosa de "conseguimos"!!!! Estávamos rumo à Tóquio."
(Andréa Braga Calil, colaboradora do site TricolorPaulista.Net)

"....lembro-me que era uma quarta véspera do feriado de "Corpus Christi", não se falava outra coisa a não ser naquele jogo, fui p/ estádio por volta das 19:00hs, transito infernal, acabei deixando meu carro na ponte morumbi (posto Shell), fui a pé junto com amigos.Torcida eufórica, pois era uma final inédita p/ mim. Jogo nervoso, fizemos 1x0, até o final jogo dramático.Aí penaltis, realmente ainda me vem na memória: Zetti pegando penalti, Rai marcando, todos se abraçando na arquibancada, os argentinos de cabeça baixa ao final. Realmente uma data e um jogo inesquecíveis, comemoramos madrugada adentro.........."
(Antonio Carlos Zaghi, colaborador do site TricolorPaulista.Net)

"...lembro que eu estava maus com dor de cabeça e que não conseguia respirar direito, já passava das 20 horas do dia 17 de junho de 1992 !!!A tal da pneumonia me pegou, dor daqui e dali, tive que ir ao hospital fazer inalação, pra ver se eu respirava melhor. E foi aí que o SPFC entrou na minha vida !!! Meu pai, um típico mineiro, torcedor sãopaulino fanático, não perde um jogo pela Tv, não vem ao estádio pois se sente melhor assistindo, mania e olha que é difícil acompanhar o tricolor lá de MG !!! Pois bem, nessa noite demorei um pouquinho prá terminar a inalação, sentia que meu pai preocupado comigo também estava eufórico, agitado. Em casa, dormi e acordei de repente. Um pessoal em casa gritando, festejando: é campeãoooooooooo !!! Pensei, nossa é só um jogo !!! Ilusão a minha !!! Naquele dia, ou melhor, naquela noite, o SPFC jogaria a final da Taça Libertadores !!! E eu, que só sabia do time e de futebol quando ouvia meu pai sorrir ou xingar, palpitando com o técnico, falando sozinho e nada mais via ao redor, tamanha a concentração !!! Vendo-o sorrindo e chorando ao mesmo tempo, perguntei: Mas Pai, pq esse jogo foi tão importante ??? E ele me respondeu: Filha, hoje o São Paulo Futebol Clube ganhou seu primeiro grande título internacional, é Campeão na Libertadores, derrotou um time de argentinos, o Newell's Old Boys (não esqueço mais esse nome, fiquei perguntando como escrevia umas 200 vezes) e o maior goleiro que já vi, o grande Zetti, segurou o pênalti que deu a taça ao SPFC. Foi aí, vendo meu pai emocionado com tudo aquilo que comecei a ser verdadeiramente uma torcedora do SPFC !!!! E a pneumonia ??? que nada, naquela noite nem me lembrei mais de dor nenhuma, precisava saber mais sobre esse Tricolor que hoje tenho orgulho de adorar !!! "
(Carla Rossetti, moderadora da lista feminina Spnet-girls)

"Já morava em Campinas nesta época, e resolvi me "aventurar" até o Morumbi. Saí do trabalho às 18h e segui em direção à São Paulo, de ônibus. Parecia que ia chegar em Manaus, mas a grande metrópole... Bem, chegando na rodoviária, peguei metrô e depois o ônibus no Anhangabau. Era uma festa só, muitos gritos de guerra, animação e uma energia que só poderia acabar em título. Quando chegamos no túnel da Nove de Julho, o trânsito começou a ficar complicado, para não dizer caótico. Um mar de sãopaulinos, algo muito emocionante. Há uns 3km do Morumbi todo mundo desce do ônibus e começa a seguir a pé até o estádio. Encontrei com muito sãopaulinos no sentido inverso, mas não acreditava que poderia acontecer o que aconteceu. Quando avisto o Morumbi, vejo também uma multidão que não conseguiu entrar no estádio. Muita, mas muita gente mesmo. Acho que daria para lotar outro Morumbi, e eu ficaria de fora daquela festa...Resolvi voltar, ir para um ponto de ônibus, na esperança de chegar no apto de meu irmão e assitir pela Gazeta (quem diria!) pelo menos o fim do jogo e a comemoração pelo título. E fico ali 10, 15 minutos e nada de passar um onibuzinho sequer. Vai começando a juntar mais gente. Lembro de dois que vinham de Jundiaí e mais uns 8 de São Paulo mesmo. Todos no mesmo "barco". Por Deus um deles tinha um radinho para que pudéssemos ouvir o jogo. Imagina a cena, uma dúzia de torcedores grudados em único radinho.Na hora do gol, pulávamos que nem loucos. Parecíamos amigos de infância tamanha a interação que rolava entre todos. Mas o sofrimento ainda estava por vir. A decisão foi para os pênaltis... Todos de mãos dadas em uma corrente positiva até que sai o resultado final e o título era nosso. A emoção foi incontida. Provavelmente ninguém lembra da cara de ninguém daquele grupo que comemorou o, até então, título mais importante da história do tricolor, mas com certeza todos têm na memória os bons momentos que passamos juntos. Depois de muito tempo consegui ir para a cidade. Cheguei no apto eram 2:30h. De qualquer forma valeu. Para um dia que muita coisa tinha dado errado, eu tinha comigo que havia sido um dos mais felizes de minha vida. Tudo por causa desta paixão chamada São Paulo Futebol Clube. Bem, já vi ao vivo meu time ser campeão Paulista e Brasileiro. Espero ainda poder vê-lo ser o Campeão das Américas."
(Cláudio Gonçalves Brandão, moderador do fórum O Mais Querido)

"Entre um gole e outro de Johnny Walker Black Label (um legítimo 12 anos), há uma semana, fiquei pensando o que eu iria escrever no dia seguinte no depoimento que tinha que mandar sobre o jogo contra o Newell's. Depoimento este que iria para o ar na estréia da nova fase do site Tricolor Paulista, na data exata em que se completariam 12 anos da nosso primeira grande glória internacional. O bom scotch serviria de inspiração. Porém, quanto mais eu bebia, mais as idéias iam fugindo da memória. Pensei até em beber 12 doses para a homenagem ser completa, mas desisti da idéia. Acho que não daria certo. Bom, é difícil falar como foi meu dia em 17 de junho de 1992. Juro que lembro cada detalhe da partida. Mas do meu dia, nem pensar. Sei que eu tinha 18 anos (ohhhhh, que memória!), que cursava o 3º colegial no Objetivo e estudava (sic) para entrar na faculdade de Jornalismo. Sei que saí da Mooca diretamente do Bar do Seu Nelson (point de aquecimento da galera, na época), junto com mais uns 30 tricolores, em três carros. Sim, só na caçamba da picape do Wilsinho deveria ter uns 20 (eu, inclusive). Sei que, como chegamos cedo, resolvemos parar em uma barraca. E disso sim, tenho ótimas recordações. Como não freqüentava uma barraca específica, parei em uma que já estava cheia, apesar do horário. Um casal simpático, o Luciano e a Miriam. Pois bem, o Luciano, conhecido como Bigode, é dono, junto de sua esposa, da Barraca do Bigode. Que eu faço questão de homenagear porque justamente hoje faz 12 anos que eu freqüento a Barraca, onde fiz grandes amigos (um deles, o próprio Bigode). Bom, mas e o jogo? Oras, o jogo terminou 1 a 0 para o tricolor, ganhamos nos penais, fomos campeões, fui para a Paulista (êta programa de índio), repetimos a dose no ano seguinte, conquistamos o mundo nas duas vezes...O jogo é apenas um detalhe, assim como este depoimento."
(Daniel Milani, o Mooca, responsável pelo site TricolorPaulista.Net e moderador do fórum O Mais Querido)

"Lembro muito bem do dia, eu meu avô ( São-Paulino doente, já falecido ), meu pai e eu indo ao Morumbi, na época nunca tinha visto uma agitação tão grande na cidade por um jogo de um time só. Morumbi lotado, mais de 100.000 pessoas para ver o que seria o titulo mais importante da historia do tricolor, nervosismo, gol do Rei, mas não salvaria o tricolor dos pênaltis...Nessa hora, eu e meu avô viramos de costa para o campo e rezamos, e deu certo, a massa tricolor explodiu, nunca tinha visto uma festa daquelas, eu estava lá, eu vi, o 1o titulo mais importante da historia do tricolor, um titulo que está em cada um de nos são-paulinos, para sempre, como diria a propaganda : Bandeira - CR$ 1.000, camisa oficial - CR$: 50.000, ingresso - CR$ 10.000, ver o São Paulo campeão da Libertadores pela 1a vez: Não tem preço!!! Agradeço a Deus todos os dias por ser são-paulino!"
(Daniel Poli, o Collector, moderador do fórum da torcida Dragões da Real)

"A correria dos ingressos, o transito e as enormes filas ficaram em segundo plano naquele dia, tanto que nem me lembro destes pequenos detalhes...O que ficou gravado na memória foi a comemoração da torcida, onde todos pareciam ser velhos conhecidos. Abraços e gritos emocionados, compartilhados por todos os que tiveram o privilégio de participar daquele noite mágica. Eu estava posicionado exatamente na arquibancada atrás do gol onde foram cobrados os penaltis e dalí presenciei o exato momento em que Zetti colocou o nosso São Paulo na rota dos grandes clubes do mundo. Alí surgia o time que atropelaria os maiores clubes do mundo nos anos seguintes. Como uma fotografia, aquela defesa no canto esquerdo foi eternizada pela comemoração daquela torcida que inundou o Morumbi. A torcida dos velhos conhecidos!"
(Fernando Mello, colaborador do site TricolorPaulista.Net responsável pelas avaliações na seção Último Jogo e moderador do fórum O Mais Querido)

"Grande dia este!!! Realmente, tenho muitas boas lembranças. Bem, na verdade tenho lembranças de quase todos os dias 17 de junho, afinal eu faço aniversário neste dia. Em 1992, eu estava completando 20 anos e lógico fui comemorar no Morumbi. Neste jogo fomos eu e meu pai ao jogo e ficamos atrás do gol das Piscinas do Morumbi (lado oposto ao gol do São Paulo e a dispute de penaltis), o jogo foi bem nervoso e lembro que o sofrimento foi grande e que o talismã Macedo entrou e na primeira jogada "cavou" o penalti. Quando o Zetti pegou o penalti do Gamboa foi o Máximo."
(Glauco Poliche, conselheiro do fórum O Mais Querido)

"Era um dia tipicamente frio em Primavera (cidade, não a estação), onde estava passando férias da faculdade. Fui ver o jogo na casa dos meus amigos Tuti e Cadu, que colocaram a TV na garagem para que uma galera maior pudesse vir. Vieram umas 10 pessoas, sofrendo a cada minuto com o duro primeiro tempo, o gol que não vinha e a péssima atuação de Muller. Quando entrou Macedo, a esperança reacendeu logo no primeiro lance, com o pênalti que Raí viria a converter. Depois, mesmo pela TV, foi de arrepiar o reconhecimento da torcida, cantando até o jogo acabar, com Telê regendo os coros. Aí foi a vez dos pênaltis... Ronaldão quase nos desilude, mas outra cobrança errada nos põe na frente. Cafu faz o dele e Pintado (que nunca tinha marcado um gol pelo clube) seria o seguinte. Tensão total, mas lá estava Zetti para liberar o grito de "campeão", para o qual não poupei a garganta. Resultado? Campeões da América e 3 dias sem voz..."
(Gustavo Fernandes, colaborador do site TricolorPaulista.Net responsável pela seção Gol Legal e moderador do fórum O Mais Querido)

"Bom, não tenho uma memória tão privilegiada como de alguns que conheço mas lembro-me de alguns fatos desta data, além do São Paulo ter sagrado-se campeão da Libertadores: Lembro-me de estar em casa com minha família e meu ex-namorado (são paulino fanático como toda a família). Quando ficou decidido que o jogo seria decidido nas penalidades, não pensei duas vezes. Fechei-me no quarto e de lá não saí até o término das cobranças. Até hoje sou assim, não consigo ver cobrança de penais. Mas não fiquei com a porta do quarto trancada. Fiquei espiando pela fresta da porta e pude observar meu irmão e namorado ajoelhados no chão. Meu irmão segurava um crucifixo na mão e ficou assim até o final. Acho que sua fé foi tão forte que o resultado todo mundo sabe: São Paulo Campeão.Saí feito louca do quarto e me joguei em cima deles e ali ficamos por algum tempo.No dia seguinte não me cabia de alegria exibindo o manto tricolor por todos os lugares que ia."
(Kátia Regina Firmino, moderadora da lista feminina Spnet-girls)

"Meu pai passou em casa as 17:00 pra me pegar, pois ainda teriamos que buscar meu amigo Serginho. Ao chegarmos na casa dele descobrimos que ele tinha quebrado a perna e estava engessado até o joelho e tivemos que ajuda-lo a convencer sua a mãe que não aconteceria nada com ele no jogo, ainda mais com o gesso todo pintado com nossas 3 cores sagradas. Na Juscelino estava tudo parado então meu pai pegou umas quebradas para cairmos na Bandeirantes, deu quase tudo certo se não tivessemos caído na pista errada, tivemos então que passar o carro por cima do canteiro central, manobra que foi muito comemorada pelos sãopaulinos que estavam na pista certa. No Morumbi tivemos que carregar o Serginho até a arquibancada ficamos onde mais ou menos tem hoje a grade que divide a arquibancada Laranja da Vermelha. Do jogo em si não lembro muita coisa apenas do meu choro ao ver o gramado tomado e do barulho que a torcida fazia durante todo o jogo, quase não era possível conversar com quem estava do lado. E hoje revendo a fita para fazer essa matéria vejo o meu ídolo Pintado, jogando com um curativo no queixo e imediatamente me lembro do dia em que ele quase chorou conversando com a gente e afirmando com todo orgulho que é sãopaulino de coração."
(Leandro Leite, responsável pelo site TricolorPaulista.Net e moderador do fórum O Mais Querido)

"Em abril de 1990 haviamos sofrido um revés eleitoral doloroso, nas eleições em que pretendíamos reeleger o Dr. Juvenal Juvêncio à presidência do SPFC. Foi doido, porque fora arquitetado maquiavelicamente durante dois anos, pela nova oposição formada por dissidentes que resolveram acompanhar um lider que fez do SPFC um campo de batalha pessoal. O presidente, nos seus dois anos de mandato, havia se reunido por mais tempo e vezes, com o depto. jurídico e com os desembargadores conselheiros, do que própriamente com o restante da diretoria. Periódicamente, oficiais de jutiça compareciam ao morumbi com mandados judiciais que intentavam uma absurda intervenção externa na administração do clube. Mas o Juvenal trabalhou muito e bem. Realizou obras importantes e manteve o grande time do qual foi o idealizador maior, ao contratar Cilinho e dar-lhe guarida para trabalhar e montar a esquadra chamada "Menudos do Morumbi". Não merecia, em nenhuma hipótese, aquela derrota. Então, eu tomei uma decisão pessoal. Me afastaria do clube e do estádio, para não atrapalhar, com a presença opositora ostensiva, a nova administração. Já que obtiveram êxito eleitoral, que governassem da melhor forma possível e eu me negava a atrapalhar o meu time. Não seria eu, quem pagaria com a mesma moeda, prejudicando a administração vigente e por consequência o time. O time que amo e cujas vitórias e conquistas me alegram e me inspiram para a vida. É claro que a distância não afastou de mim o ideal e o amor sãopaulino. Tampouco a amizade que eu tinha com os jogadores. Zé Teodoro, Ronaldão e Raí, só para citar alguns dos mais chegados, lá estavam envergando o alvo manto sagrado das tres listras e isto é que importava. Tinham minha admiração e torcida, ainda que à distância. No dia da finalíssima da nossa primeira Libertadores, resolvi sair até de casa. Peguei a Arlete e as crianças e fomos para Serra Negra, passar alguns dias no Hotel Fazenda Vale do Sol, fazer uma espécie de concentração. E lá, em meio a alguns hóspedes que se interessavam por futebol, foi que assisti ao jogo. Eu e toda a família. Seis tricolores de alma e coração devotados e apaixonados, ardentes pelo que seria a nossa maior conquista, até então. Confesso que não me saia da lembrança as Libertadores que haviamos perdido, sobretudo a que deixamos escapar para o Independiente da Argentina, em "negra" disputada na capital chilena de Santiago, depois de vecermos aqui e perdermos em Buenos Aires. E jogamos aquele título fora, juntamentre com um pênalti desperdiçado por Zé Carlos (Serrão), que cobrou porque Pedro Rocha havia se contundido. Isto nos idos anos 70 (73? 74?, falha-me agora a memória). Quando o árbitro encerrou a partida contra o Newell´s e fomos disputar o título nos pênaltis, a figura do Zé Carlos, cabisbaixo pelo antigo fracasso, não me saia da frente. Então redobrei as forças na torcida. Pensei positivo, torci feito louco, com figas, "nhacas", correntes prá frente e tudo o mais. Consagrada a vitória, reagi de forma diferente da minha natureza extrovertida. Introspectei-me e fui à pequena capela, logo ali ao lado. Rezei em agradecimento pela felicidade daquele momento sublime. Só depois, juntei-me aos meus filhos e a outras pessoas que comemoravam na sala de TV do hotel. Tinha a alma lavada, leve, exultante. Coisa que só as grandes vitórias nos trazem."
(Luiz Antonio da Cunha, colunista do site Tricolormania)

"Estive lá nesse dia, nas numeradas superiores e exatamente atrás do gol onde foram batidos os penaltis. No momento em que Gamboa(?) bateu o penalti que Zetti defendeu, antes da defesa pulei junto com ele e gritei CATA ZETTI !!!! Zetti "catou", eu comecei a chorar, meu irmão idem e meu sobrinho Caio que tinha 18 anos também começou a pular. Entramos em catarse coletiva. Eu estava com uma bandeira que se partiu ao meio sei lá como e que foi perdida no caminho de volta para casa. Foi uma data inesquecível pois além da alegria do título, foi talvez a última oportunidade que tivemos juntos eu, meu irmão e Caio, meu sobrinho, de ver o São Paulo, pois pouco tempo depois,Caio faleceria num acidente de automóvel, indo para a Faculdade, na av. Morumbi. Nessa data, envio ao Caio onde quer que esteja, um grande abraço tricolor e na final, se estivermos, que relembre os momentos contra o Newell´s e quem sabe possa ajudar a reviver esse grande momento de nossa história e do São Paulo."
(Mauro Ramirez, conselheiro do fórum O Mais Querido)

"Lembro muito bem daquele dia, a expectativa do jogo me impregnava e mal consegui dormir direito da passagem do dia 16 para o dia 17, naquela época estava na faculdade e o dia inteiro foi de festa com os amigos tricolores, infelizmente naquele dia tinha que dar aula numa academia no período noturno e o meu chefe na época não me liberou mais cedo e tive que sair numa correria para chegar no Morumbi isto ás 20.30 hrs, consegui largar o carro na frente do palácio do Governo nos seus canteiros e sai em disparada para o estádio, cheguei faltando 10 minutos para começar o jogo e não sei até hoje como entrei com facilidade no Morumbi e fiquei onde hoje é a arquibancada amarela superior, o ar do Morumbi era festivo mas ao mesmo tempo dava praticamente para sentir o concreto pulsar de tamanha era a tensão dos torcedores e assim foi até o final do jogo e depois do sufoco dos pênaltis o título era nosso, eu estava acompanhado de 3 amigos e ficamos lá até o Morumbi esvaziar e olha que demorou parecia que ninguém queria sair dali e acabar com aquele momento mágico pois ganhar a libertadores para mim é isto: Magia Pura."
(Omar Ferrari, conselheiro do fórum O Mais Querido)

"De ouvir sobre essa data um arrepio forte toma conta de todo o corpo; um frio na barriga vem à tona e o coração acelera. Há exatos 12 anos, nos sagrávamos campeões da Libertadores. Essa que é disputada pelos melhores da América. Os grandes; os gloriosos. Assim como era o São Paulo do mestre Telê. Eu tinha 9 anos de idade. Não acompanhei o torneio e tão pouco a conquista desse importantíssimo título. Era apenas uma menininha, meio "muleka", é verdade, que talvez pelo fato de ser filha única e até "neta única", ainda não conhecia a magia de um jogo de futebol. Porém uma coisa já era certa em minha mente: Meu coração era tricolor. Eu torcia para o São Paulo Futebol Clube. Do pouco que me lembro, vem a imagem dos telejornais, mostrando a cidade enfeitada em vermelho, preto e branco. As bandeiras nas casas e as camisas nas ruas entoando o orgulho de ser tricolor. A festa, no gigante Morumbi foi celebrada por Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldo, Ivan, Adílson, Pintado, Raí, Müller, Macedo, Palhinha, Elivélton e mais de 105 mil espectadores ecstaseados com a vitória sofrida nos pênaltis. Milhões de são paulinos pelo mundo todo engrossavam o grito de "É campeão!". Hoje com 20 anos, um pouco mais fanática que alguns, mas tão apaixonada como muitos, torço e espero ansiosamente o tri-campeonato. E desta vez, estarei no palco para ver."
(Raquel Molinari, conselheira do fórum O Mais Querido)

"Nessa época eu já estava acostumado a ver conquistas nacionais; já tinha visto os Paulistas de 85, 87, 89 e 91, além dos Brasileiros de 86 e 91. Mas dessa vez era diferente; a América estava muito próxima de ser nossa. Nós havíamos ressuscitado o torneio mais importante do continente, a Libertadores, uma vez que até então os clubes brasileiros só vinham participando para fazer número, sem esperança de serem campeões. Mas naquela histórica fria noite de quarta-feira foi diferente. Fui de cativa com meu pai, onde hoje é o lado azul (na época os dois lados nas cativas eram azuis), o Morumbi estava cheio, mas o que eu vi no intervalo foi algo impressionante. Um mar de gente invadiu o setor, gente que estava desde o início do jogo tentendo entrar no estádio e não conseguia. E isso aconteceu em todo o estádio, por isso é ingenuidade achar que havia 105 mil pessoas lá; acho que tinha tranqüilamente mais de 120 mil ... E a tensão durante todo o jogo foi grande já que o gol teimava em não sair. Mas felizmente o salvador Macedo entrou pra sofrer aquele pênalti. E o batedor só podia ser um, o único que sabíamos que nunca perderia aquela chance: Raí. Depois o nervosismo só aumentou, chegando a seu ponto máximo na cobrança de pênaltis. Zetti, que havia sido execrado por parte da torcida duas semanas antes, depois de frangar no Equador, deu a resposta. Meu Deus, quando ele abriu os braços, o gol ficou muito pequeno pro Gamboa. Não tinha por onde aquela bola entrar. Até hoje me pergunto como um goleiro pôde ter mais de sete metros de envergadura algum dia. Depois disso, foi só alegria. Todos emocionados se abraçavam. Demorou pra cair a ficha. Como acordei feliz naquela quinta-feira, 18 de junho..."
(Ricardo Duailibi, colaborador do site TricolorPaulista.Net responsável pelas avaliações na seção Último Jogo)

"1992, no auge da adolescência, 15 anos, colégio era mistura de aprender e ter amigos. Amigos rivais, poder gozar com as derrotas dos times de meus amigos era maravilhoso. Ainda mais quando não tinham argumentos para fazer o mesmo comigo. Estávamos iniciando a fase áurea. Aquela quarta tinha algo mágico, o dia não passava até a hora de eu ir ao Estádio, fiquei nas cativas ao lado da torcida do Newell´s, como esquecer de tudo o que aconteceu durante o jogo, o nervosismo e após a euforia. Euforia que duram exatos 12 anos."
(Rodrigo Teixeira, o Barão, responsável pelo site Spnet e moderador da lista Spnet)

"Essa final teve um gostinho especial, tenho ela viva na memória até hoje. A primeira coisa que lembro é da dificuldade de se chegar ao Morumbi naquele dia, a cidade parou. Parecia que todos iam ao Morumbi, nunca mais vi o estádio tão cheio como daquela vez, e somente com a nossa torcida! Lembro que consegui entrar somente aos 20 do primeiro tempo. O jogo foi muito nervoso, o gol não saia de jeito nenhum. Desde o primeiro jogo daquela Libertadores, tive a certeza que o São Paulo seria campeão. Mas confesso que durante o jogo, as vezes essa certeza sumia. Lembro de um contra-ataque do Newell´s que o atacante Zamora chegou a driblar o goleiro Zetti, mas inesplicavelmente chutou fraquinho e a zaga fez o corte. A partir daí tive a certeza da vitória. Quando Ronaldão perdeu o pênalti, minha certeza deu nova titubeada. Quando o paraguaio Mendoza se preparou para cobrar sua penalidade, virei de costas para o campo. Quando a torcida começou a gritar, percebi que ele tinha perdido a cobrança. Após a última defesa de Zetti, depois de muitos gritos e comemorações, lembro de ter dito para um outro torcedor que estava ao meu lado: Agora é em Tóquio!"
(Rogério Stein, colunista dos sites TricolorPaulista.Net, Spnet e do fórum O Mais Querido)

"Da noite anterior não dormida até o momento de entrar no carro do meu pai foram horas inacabáveis. Para chegar ao estádio, porém, bastaram vinte minutos. Fomos bem antes do trânsito que pararia a cidade. A sensação de tempo continuava confusa: a eternidade até o início da partida, a velocidade impressionante do primeiro tempo, a decepção com a substituição de Muller, até o gol de Raí. Mas o que mais marcou um dos melhores dias da minha vida não foi nada disso. Nem o salto mágico de Zetti, nem a explosão da comemoração, nem as lágrimas posteriores. Inesquecível mesmo foi o silêncio da volta para casa, a constatação lenta de que tudo mudaria. A final de Tóquio, o reconhecimento, a inveja dos adversários. E principalmente o orgulho de saber que a América finalmente falava Português."
(Sérgio Bento, colunista do site TricolorPaulista.Net e do fórum O Mais Querido)

"Meus pais tinham uma lanchonete dentro de um clube. A Libertadores daquele ano foi especial. Toda quarta feira, era metade do bar tricolor, metade "secador". O jogo do dia 10 tinha sido tenso. Quando saiu o gol dos caras e metade do bar comemorou, meu pai começou a xingar todo mundo, dando esporro mesmo, apoiado pelos demais são paulinos. Talvez por conta disto, temendo confusão, no dia 17 eu e minha mãe fomos para casa mais cedo (eu tinha só 12 anos). Lembro de ficarmos assistindo o jogo juntos. No pênalti do Raí, estava de joelhos em frente à TV. Meu coração tava quase na boca. Depois do gol e da agonia dos penais, só alegria. Dá-lhe Zetti. Até hoje me arrepio só de lembrar."
(Thiago Santana, colaborador do site TricolorPaulista.Net responsável pela seção Raio-X)

"Tudo começou errado...Acordei meia hora atrasado naquela quarta-feira preguiçosa. Perdi a primeira aula, mas com certeza, nenhuma aula de 6ª série poderia mudar minha vida tão profundamente como os eventos que estão por acontecer. Quarta-feira era um dia bom. Aula dupla de educação física. Na pelada no campo de terra batida, fizemos o jogo tradicional - "São Paulo contra Rapa". Os tricolores eram mais que a metade da classe, o que nos obrigava a fazer mais substituições, e consequentemente, jogar menos, fazendo que as aulas de educação física do "Colégio Aquarius" fossem o único momento da minha vida onde eu não gostava de ser são-paulino. O rachão não foi um bom sinal. O misto de palmeirenses e corinthianos goleou o nosso time sem piedade. Não lembro o placar, mas lembro do meu calafrio, ao ver o time dos tricolores cabisbaixos, tristes... camisas são-paulinas emolduradas com rostos de decepção. Tive um mal-pressentimento. Voltei para casa, almocei voando e fui para casa do meu vizinho, que me levaria até o Morumbi. Cheguei tarde e perdi a carona. Entrei em desespero: Menos de 12 horas do jogo de futebol mais importante da minha vida e eu não tinha ingressos, nem condução, nem bom-pressentimento. Para chegar ao Cícero Pompeu de Toledo, tinha duas opções: tomar um ônibus Cotia-Pinheiros, fora os 50 minutos de caminhada; ou simplesmente convencer o meu pai a assistir a partida comigo. O velho até queria ir para o jogo - eu é que não queria que ele fosse: chamar meu pai de pé-frio é um eufemismo. Aliás, confesso, não é ele, nem eu isoladamente - somos nós. A combinação Mauro + Bruno de Almeida nunca foi das mais afortunadas nos estádios. Mas eu estava curto de dinheiro, e a presença do meu progenitor era garantia de carona e ingresso sem custo algum. Levei 10 minutos para convencê-lo e às 3 horas da tarde, estava no Morumbi. A Praça do Rei estava tomada pelas cores vermelha, branca e preta. Já tinha assistido a jogos lotados, mas nada como aquela multidão. Dava pra ver a alegria estampada na cara dos são-paulinos, que naquele momento, não eram simples torcedores; Eram personagens da história, que estavam prestes a prestigiar uma ocasião única, algo que poderia nunca mais acontecer de novo. uma chance sem igual, única e inesquecível: Uma final da Copa Libertadores América. Passei o dia no clube, do qual sou orgulhosamente sócio há 14 anos. Ainda não tinha ingressos, mas não me preocupei: passei a tarde jogando bola pra gastar a energia acumulada pela ansiedade. Quando me dei conta faltavam pouco mais de 4 horas para a partida começar. Fui ao encontro do meu pai, acreditando que ele, de maneira responsável, tinha conseguido os ingressos com os diretores do clube. Mas não é que o velho tinha esquecido, e aquela altura do campeonato seria quase impossível achar uma entrada. Como desgraça pouca é bobagem, ele ainda ligou para alguns amigos, cujos filhos eram conhecidos meus, e de uma situação difícil, meu pai a tornou catastrófica em 3 horas, ao aumentar nossa necessidade de 2 para 9 entradas. Quando tudo parecia perdido, São Paulo nos mostrou um caminho. Um diretor com cara de mal encarado viu meu desespero, e pergunto com voz mal-humorada "quantos ingressos você precisa?" - "A minha resposta o fez coçar a cabeça imediatamente, num sinal claro de impotência. Ele se afastou e depois de conversar ao pé-do-ouvido com 2 outros diretores, me levou a bilheteria central o Morumbi. Ao pegar as entradas de "numerada térrea" (atual arquibancada térrea), lembro que minha consciência ficou tão leve quanto o meu bolso. Esqueci de avisar o meu pai e as nove entradas foram pagas com minhas parcas economias - das quais eu ainda não fui reembolsado. Entrei várias horas antes do jogo começar. A discussão era onde sentar, afinal, a numerada térrea, torna-se uma geral em jogos decisivos. Fiquei lá, apreciando o Morumbi enchendo, olhando as caras otimistas dos são paulinos, vendo 100 mil pessoas na mesma sintonia, na mesma emoção. O gigante Cícero Pompeu de Toledo estava lindo como nunca vira. Do jogo todos lembram: O sufoco, a defesa Argentina, a confiança dos tricolores, os contra-ataques que quase arrancavam o nosso coração do peito, o Macedo, o pênalti, o Raí o gol, a festa, o fim do jogo, o empate, as penalidades, o Zetti, a glória. Para a descrição do jogo só preciso de um parágrafo, pois as recordações estão na memória de todo torcedor do São Paulo. De vez em quando fecho o olho, para lembrar daquela final, e não é do pênalti perdido do Gamboa que eu lembro, mas sim da torcida invadindo o gramado, explodindo de alegria num só grito, numa só pulsação. Uma festa completa: gente caminhando de joelhos em volta do campo, gente pendurada na trave, gente beijando o símbolo do São Paulo estampado no gramado, gente pagando sua promessas, gente recebendo sua recompensa. E que recompensa..."
(Bruno de Almeida, colaborador do site TricolorPaulista.Net responsável pela seção Túnel do Tempo e repórter da rádio Bandeirantes)

Por Leandro Leite (com colaboração de Fernando Mello)