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Jornalistas analisam times brasileiros na Libertadores 2005

Embalado pelas vitórias nos clássicos contra Palmeiras e Corinthians e pela liderança do Paulistão, o São Paulo inicia a sua trajetória na Copa Libertadores da América no próximo dia 03 de março, em La Paz, contra o The Stronguest, em busca do tri-campeonato.

O torneio sul-americano é o grande desejo do elenco, diretoria e, principalmente, da torcida tricolor que trata a competição com um carinho especial, tanto é que em 2004 a média de público do São Paulo, em jogos realizados no Morumbi, pela Libertadores, foi superior e 56.000 pessoas.

Neste ano, o regulamento da competição sofreu algumas alterações. Numa fase de pré-classificação, 12 equipes disputaram 6 vagas na chave principal em jogos de ida e volta. América de Cali (COL), Chivas Guadalajara (MEX), Quilmes (ARG), Palmeiras (BRA), Junior (COL) e LDU (ECU) garantiram as suas vagas. A partir daí temos 32 equipes que foram divididas em 8 grupos de 4, onde as equipes se enfrentam dentro de seu grupo em turno e returno, classificando-se os 2 primeiros de cada chave:

Grupo 1: América de Cali; Atlético-PR; Indepediente de Medellín; Libertad
Grupo 2: Danúbio; Bolívar; Santos; LDU
Grupo 3: Universidade do Chile; São Paulo; Quilmes; The Stronguest
Grupo 4: Cerro Porteño; Deportivo Táchira; Palmeiras; Santo André
Grupo 5: River Plate; Júnior de Barranquilha; Olmedo; Nacional (URU)
Grupo 6: Tigres; Banfield; Alianza Lima; Carcas
Grupo 7: Guadalajara; Once Caldas; San Lorenzo; Cobreloa
Grupo 8: Sporting Cristal; Pachuca; Boca Juniors; Deportivo Cuenca

Nas oitavas-de-final, o regulamento prevê uma disposição de confrontos inusitada. Em vez de uma tabela dirigida, os duelos serão definidos de acordo com o desempenho das equipes na primeira fase. Ou seja, a equipe com melhor índice técnico enfrentará o 16º melhor time da etapa inicial, o 2º melhor colocado encara o 15º e assim por diante.

A partir das finais, em caso de igualdade em pontos e saldo de gols, os confrontos podem ser decididos pelos gols marcados fora de casa. Se a igualdade persistir, o classificado sai na disputa por pênaltis.

Na decisão, uma pequena alteração em relação às fases anteriores. Em caso de igualdade em pontos, saldo de gols e gols fora de casa, as equipes disputarão uma prorrogação em dois tempos de 15 minutos. Se o empate persistir, o campeão será definido na cobrança por pênaltis.

Principalmente a partir dos títulos ganhos pelo São Paulo em 1992 e 1993, os times brasileiros passaram a dar maior importância à competição. Porém, os times argentinos são os grandes vencedores do torneio, com 19 títulos no total, com destaque para o Independiente com 7 títulos e Boca Jrs com 5. O Peñarol, do Uruguai, também venceu a competição 5 vezes.

O Brasil tem 10 títulos, sendo que apenas São Paulo, Santos e Cruzeiro conseguiram ser bi-campeões. Flamengo, Grêmio, Vasco e Palmeiras tem um título cada.

ANO CAMPEÃO VICE
1960 PEÑAROL (URU) Olímpia (PAR)
1961 PEÑAROL (URU) Palmeiras (BRA)
1962 SANTOS FC (BRA) Peñarol (URU)
1963 SANTOS FC (BRA) Boca Juniors (ARG)
1964 INDEPENDIENTE (ARG) Nacional (URU)
1965 INDEPENDIENTE (ARG) Peñarol (URU)
1966 PEÑAROL (URU) River Plate (ARG)
1967 RACING CLUB (ARG) Nacional (URU)
1968 ESTUDIANTES DE LP (ARG) Palmeiras (BRA)
1969 ESTUDIANTES DE LP (ARG) Nacional (URU)
1970 ESTUDIANTES DE LP (ARG) Peñarol (URU)
1971 NACIONAL (URU) Estudiantes de LP (ARG)
1972 INDEPENDIENTE (ARG) Universitário (PER)
1973 INDEPENDIENTE (ARG) Colo Colo (CHI)
1974 INDEPENDIENTE (ARG) São Paulo FC (BRA)
1975 INDEPENDIENTE (ARG) Unión Española (CHI)
1976 CRUZEIRO (BRA) River Plate (ARG)
1977 BOCA JUNIORS (ARG) Cruzeiro (BRA)
1978 BOCA JUNIORS (ARG) Deportivo Cali (COL)
1979 OLIMPIA (PAR) Boca Juniors (ARG)
1980 NACIONAL (URU) Internacional (BRA)
1981 FLAMENGO (BRA) Cobreloa (CHI)
1982 PEÑAROL (URU) Cobreloa (CHI)
1983 GRÊMIO (BRA) Peñarol (URU)
1984 INDEPENDIENTE (ARG) Grêmio (BRA)
1985 ARGENTINOS JUNIORS (ARG) América (COL)
1986 RIVER PLATE (ARG) América (COL)
1987 PEÑAROL (URU) América (COL)
1988 NACIONAL (URU) Newell's Old Boys (ARG)
1989 ATLÉTICO NACIONAL (COL) Olimpia (PAR)
1990 OLIMPIA (PAR) Barcelona SC (ECU)
1991 COLO COLO (CHI) Olimpia (PAR)
1992 SÃO PAULO FC (BRA) Newell's Old Boys (ARG)
1993 SÃO PAULO FC (BRA) Universidad Católica (CHI)
1994 VÉLEZ SARSFIELD (ARG) São Paulo FC (BRA)
1995 GRÊMIO (BRA) Atlético Nacional (COL)
1996 RIVER PLATE (ARG) América (COL)
1997 CRUZEIRO (BRA) Sporting Cristal (PER)
1998 VASCO DA GAMA (BRA) Barcelona SC (ECU)
1999 PALMEIRAS (BRA) Deportivo Cali (COL)
2000 BOCA JUNIORS (ARG) Palmeiras (BRA)
2001 BOCA JUNIORS (ARG) Cruz Azul (México)
2002 OLIMPIA (PAR) São Caetano (BRA)
2003 BOCA JUNIORS (ARG) Santos FC (BRA)
2004 ONCE CALDAS (COL) Boca Juniors (ARG)

Colhemos as opiniões de alguns jornalistas esportivos sobre as chances dos times brasileiros na edição deste ano. Segue a opinião de cada um deles:

Vitor Birner - comentarista esportivo da rádio CBN

Atlético-PR - Os jogadores são piores que os vice-campeões brasileiros e jogam juntos hámenos tempo. Acho que falta tradição ao furacão na Libertadores. De vez em quando, os torneios com decisão por mata-mata têm resultados surpreendentes. O título do Atlético seria uma dessas surpresas.

Palmeiras - O momento é péssimo e o time mediano. Por mais que digam o contrário, a defesa não sabe marcar as mais óbvias jogadas aéreas. Tirante o fato do meio de campo ser previsível e o ataque comum, nunca vi um campeão da América com defesa frágil. Se não resolverem o problema, não há chance de ganhar. Não creio que o problema será solucionado.

Santo André - Pequeno e sem pressão, o Ramalhão não tem nenhuma obrigação na Libertadores. Não sei como o time vai reagir num campeonato tão peculiar, mas pode dar algum trabalho. Ninguém pode afirmar que é candidato ao título.

Santos - Um dos favoritos, piorou em relação ao time do ano passado. A saída do Elano e a chegada de Osvaldo de Oliveira mudaram a forma do time jogar. Nas duas vezes que foi campeão brasileiro, o Santos sempre ia em direção ao gol. A tendência é que o Santos jogue cada vez mais de lado, preocupado em manter a posse de bola. Quando entra com 3 atacantes, fica muito vulnerável. A defesa, tal qual o goleiro, não acompanha o excelente nível do sistema ofensivo. Repito, é um dos favoritos por causa do talento de alguns jogadores, mas não é a minha aposta.

São Paulo - Também é um dos favoritos, mas pena que perdeu o Rodrigo, pois seria o favorito. A defesa, sem Rodrigo e Fabão, não está segura. No campeonato paulista tudo bem, mas na Libertadores com a mudança de regulamento, é fundamental não tomar gols em casa. Em compensação, é um time com jogadores muito fortes, rápidos e dedicados. A equipe está muito bem entrosada pro início de trabalho. O problema é que não pode perder jogadores cruciais como Cicinho, Júnior e Grafite, taticamente o mais importante do time. Com um pouco de sorte leva o terceiro título continental.

Rodrigo Vessoni - repórter do Jornal Lance

Santo André: Mero coadjuvante. Se chegar às oitavas-de-final será um grande feito.

Atlético-PR: A Arena da Baixada será sua grande - e única - chance. Conseguindo fazer o resultado em sua casa, poderá chegar às fases finais da competição.

Palmeiras: Vai passar pela fase de classificação, mas o futuro é pouco promissor. Os times do exterior sempre vão entrar em campo com respeito, mas, ao ver o time limitado que hoje está o campeão de 99, não vão perdoar o Verdão.

Santos: Um dos favoritos ao título, mesmo sem Elano. Osvaldo de Oliveira poderá atrapalhar a caminhada do time, com seus rodízios e substituições.

São Paulo: Passa da fase de classificação sem sustos. Depois, vai depender muito do cruzamento das chaves. Precisa dar sorte de não encontrar um time brasileiro e a dupla Boca-River logo de cara. A falta de um meia ainda vai ser comentada.

Marcelo Carone - repórter da Rádio Nove de Julho

As chances de o Brasil conquistar a Taça Libertadores da América são grandes, pois nessa edição o país conta com cinco representantes: Atlético-Pr, São Paulo, Santos, Santo André e Palmeiras. Pelo menos duas equipes tem grandes chances de chegar ao título: São Paulo e Santos.

O São Paulo busca, desde o ano passado, a realização desse sonho e, se ano passado chegou perto, esse ano as chances são maiores. Se por um lado o time perdeu alguns jogadores, entre eles Luis Fabiano, por outro, tem o técnico Émerson Leão no comando da equipe. O treinador é o principal responsável pela atual fase do time. Com o apoio dos torcedores, que devem lotar o Morumbi nas partidas pela Libertadores, o São Paulo é o time brasileiro com mais chances de chegar ao título.

O Santos, desde 2002, tem o melhor elenco do futebol brasileiro. Perdeu alguns jogadores importantes, mas sua diretoria soube repor as peças e o time não se enfraqueceu. O grande problema do Santos é o treinador da equipe, que não passa confiança aos seus torcedores e aos próprios jogadores. Exemplo disso é o "rodízio" de goleiros que o treinador prometeu fazer. Se o Santos continuasse com o técnico Wanderley Luxemburgo, ganharia todas as competições que disputasse.

Palmeiras, Atlético-Pr e Santo André não devem ir muito adiante na competição. O Palmeiras trocou o treinador, mas não resolveu o seu problema. O que falta mesmo é jogador. O Palmeiras passa por uma fase de transição, já que desde o início do ano tem um novo presidente, e o que falta é organização. Desde a saída da Parmalat o clube não fez uma contratação que empolgasse o seu torcedor e também não conquistou nada a não ser o titulo da Série B. O Atlético-Pr ainda não tem força para vencer essa competição, e não deve passar da segunda fase. O Santo André é uma surpresa. Apesar de remotas chances (a mesma que tinha de conquistar a Copa do Brasil), tudo pode acontecer. Mas dizem que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.

A sorte está lançada. Agora é aguardar para ver se os times brasileiros conseguirão trazer o título para o nosso país...


Por Nelsinho Calil