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Data: 06/03/2010
Hora: 09h52
Fonte: Uol Esportes

Sem um típico camisa 10, São Paulo vê carência de 'garçons' no Paulista

O São Paulo há tempos dispensou os serviços de um típico camisa 10, outrora representados por Pedro Rocha, Raí e Pita. O empate contra o Oeste, 0 a 0, na quarta-feira, evidenciou a falta de um meia armador. Os quatro meio-campistas utilizados entre os titulares são considerados volantes: Cleber Santana, Richarlyson, Jean e Rodrigo Souto.

Sem um jogador específico de armação e definição no meio-campo, também conhecido como “ponta-de-lança” em décadas anteriores, o São Paulo vê minguar a presença de atletas do clube na lista dos principais assistentes (passes que resultam em gols), características de um camisa 10.

Nenhum dos 15 maiores assistentes do Paulistão é jogador do São Paulo, conforme levantamento feito pelo Datafolha. O maior “garçom” do torneio é Cleiton Xavier, do Palmeiras, com oito passes que resultaram em gols. Santos e Corinthians têm como destaques Neymar, Marquinhos e Tcheco, todos com três assistências.

Já os líderes do São Paulo no quesito são Dagoberto e Cleber Santana, com apenas duas assistências cada.

Ricardo Gomes minimiza a falta de um genuíno meia armador, destacando que o elenco supre essa carência recorrendo a vários outros atributos.

“Não temos aquele meia, mas vários jogadores são capazes de criar e dividir tarefas. Temos o Marcelinho Paraíba, o Léo [Lima], o Hernanes. Temos o Marlos, que tem sido pouco utilizado, mas que pode nos ajudar também. São muitas alternativas, apesar de não ter um 10 que põe o pé em cima da bola. Mas não quer dizer que isso seja preciso".

Atualmente, a camisa 10 do São Paulo tem Hernanes como dono. Convocado por Dunga para as Olimpíadas de Pequim, em 2008, como volante, o atleta do São Paulo evita rótulos e pede para ser visto como um meia, estratégia para evitar que seja visto somente como um mero marcador.

Admirador do futebol de Hernanes, Dagoberto contesta a versão de que o São Paulo não reúne um meia típico e enumera virtudes do camisa 10 tricolor. Para o atacante, Hernanes só terá seu valor reconhecido quando deixar o Morumbi.

“Vejo o Hernanes como o cara. É o jogador que vai fazer muita falta no dia em que for embora. Muitos não valorizam isso. É um cara técnico, inteligente, que deixa vários jogadores na cara do gol, com assistências, provando o quanto ele é importante. O Hernanes está aí. Temos que parar com essas dúvidas”, defendeu Dagoberto.

Por Nelsinho Calil